Desde Tóquio 2020, o skate deixou de ser só rebeldia urbana pra virar medalha, holofote e polêmica. Uns veem nas Olimpíadas o reconhecimento de um talento que sempre foi chutado pra margem. Outros sentem o gosto amargo de uma traição: um rolé livre, caótico e visceral, agora domesticado por regras e pódios.

A treta é pesada: o skate olímpico consagra ou mata sua essência? Vamos mergulhar nessa briga, com vozes lendárias, opiniões que pegam fogo e uma reflexão pra estremecer ruas e arenas.

Rua versus Regras: Onde Tudo Começa

O skate nasceu nas ruas da Califórnia nos anos 1950, um surfe de asfalto gritando liberdade em tábuas tortas. Tony Hawk e Rodney Mullen transformaram manobras em arte, enquanto o street skate cuspia na cara de urbanistas e guardas.

No Brasil, enfrentou proibições — tipo a de Jânio Quadros em São Paulo nos anos 1980 —, mas explodiu em praças e ladeiras. Aí, em 2016, o COI jogou o skate nas Olimpíadas. Um pico histórico pra alguns, um soco no estômago pra outros.

A guerra é simples: esporte ou expressão? Pros puristas, juízes, uniformes e notas são uma facada na alma anárquica do skate.

"Não precisamos de pódio pra valer algo", mandou Paul Rodriguez Jr. à Thrasher em 2014. "Se for às Olimpíadas, blz, mas se não for, segue sendo foda. Eles é que precisam da gente" (Thrasher, setembro de 2014).

É o grito de quem vê o COI como um penetra querendo lucrar com o rolé.

Tony Hawk: O Véio que Compra a Ideia

Tony Hawk, o cara que todo mundo conhece, tá do outro lado. Ainda dropando aéreos insanos, ele disse em 2021: "Tem países que vão apoiar o skate e construir pistas por causa das Olimpíadas. Isso é bom pra caramba" (New York Times, maio de 2021).

Pra ele, os Jogos são um palco, não uma gaiola. Mas nem todos engolem. Críticos dizem que o snowboard virou produto pasteurizado pós-Olimpíadas de 1998, e temem que o skate vire um fantoche igual.

Rayssa Leal e a Nova Geração: Medalha ou Corrente?

Aqui no Brasil, Rayssa Leal, a "Fadinha", joga lenha na fogueira. Prata em Tóquio 2020 aos 13, bronze em Paris 2024 aos 16, ela é a mais jovem brazuca com dois pódios olímpicos.

De Imperatriz, Maranhão, viralizou pulando escadas vestida de fada — um conto que conquistou o mundo. "Skate é pra todo mundo, na rua ou na pista olímpica. O que importa é a liberdade", disse ao UOL em 2021 (UOL Esporte, julho de 2021). Despojada, ela abraça os Jogos como um grito global.

A Resistência Underground e Lucy Adams: Do Caos à Cabine da BBC

A resistência não perdoa. Lucy Adams, skatista britânica, mandou na lata à Sidewalk em 2020: "O skate é um caos lindo, não um roteiro pra juízes. As Olimpíadas querem nos encaixotar, mas o street não cabe" (Sidewalk, março de 2020). Na época, ela rejeitava a padronização que sufoca a criatividade — um pecado mortal pro rolé de verdade.

Mas aí veio a reviravolta: em Tóquio 2020, Lucy virou comentarista da BBC, narrando o debut do skate nos Jogos. Será que ela mudou de ideia? Não totalmente. Em 2021, ela disse ao Terrible Co. que foi "nerve-wracking" e "really good" pra mostrar o skate britânico pro mundo (Terrible Co., agosto de 2021). Parece que ela encontrou um meio-termo: usa o palco sem vender a alma.

 

1 Bilhão é o faturamento da indústria nacional do skate

Números e Realidade: Ganho ou Perda?

Os números brilham. Pós-Tóquio 2020, o Brasil saltou de 8,5 milhões de praticantes (IBOPE, 2013) pra cerca de 10 milhões em 2024, segundo estimativas impulsionadas pela exposição olímpica. A indústria nacional, vice-líder mundial atrás dos EUA, fatura mais de R$ 1 bilhão por ano.

"As Olimpíadas provam que skate é talento, não bagunça", disse Pedro Barros, prata em Tóquio, ao ge.globo.com em 2021 (ge.globo.com, agosto de 2021).

Mas tem o outro lado. "O skate de rua segue apanhando", alerta Leonardo Brandão, historiador da FURB, à BBC Brasil. "O olímpico é aceito por ser bonitinho e controlado, mas nas praças, guardas tomam shapes" (BBC Brasil, julho de 2021).

Rayssa brilha em Paris, enquanto o rolé anônimo come repressão.

O Futuro: Rebelião ou Rendição?

O skate olímpico é o quê? Pra uns, abre portas pra pistas na quebrada e apoio pras novas gerações — um sonho tipo o de Luiza Erundina, que derrubou a proibição em SP nos anos 1990.

Pra outros, é o enterro de uma cultura que nunca precisou de carimbo. Hawk pode estar certo: o skate rejuvenesce os Jogos. Mas Rodriguez também acerta: o skate não precisa deles.

Em 2028, Los Angeles, o berço do skate, vai ser o palco final. Se o street pulsar nas ruas enquanto os pódios brilham na TV, dá pra conviver. Se as praças virarem deserto e os shapes relíquias de museu, os puristas vão gritar: "Eu avisei."

Mas no fim, quem fica com a medalha? O pódio polido, com seu ouro reluzente e suas regras de gravata, ou as ruas quebradas, onde o shape rala o asfalto e a única premiação é o respeito de quem viu o corre?

Uma mão ergue a glória colorida do primeiro lugar, a outra segura o peso bruto de uma medalha sem número — viva na essência, morta pro sistema.

O skate tá na corda bamba, e o próximo ollie não é só um salto: é o julgamento da sua alma.

De que lado tu cai?

 

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